domingo, 31 de julho de 2016

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Dona Maria

O objetivo macro dessa coluna é “melhorar o mundo”. Torná-lo um lugar de convívio mais leve, mais justo e mais tolerante. Ou seja, de uma forma simplista, ajudar as pessoas (mais necessitadas). Diminuir as diferenças discrepantes que nos deparamos diariamente. Esse, acreditamos, é o sonho de muitas e muitas pessoas. Cada um querendo “mudar o mundo” ao seu modo, a seu ver. Cada um com seu plano. É verdade, a boa intenção é necessária, mas não é suficiente. É preciso ter ação, é preciso o agir.
 
E o agir, como em todo bom e eficiente projeto, deve ser planejado, estudado, embasado e delimitado. É difícil abraçarmos o mundo de uma vez só. Se temos um bom contingente de pessoas que querem ajudar e fazer a diferença, vamos nos separar e nos organizar para agirmos localmente. Cada um contribuindo com sua força, com sua vontade, com seus recursos e suas possibilidades.
 
E quando nos encontramos com o nosso “cliente”, ou seja, com as pessoas que realmente precisam de ajuda, o coração é tocado. A alma é tocada. A teoria cai e vivenciamos na prática o dom da compaixão, que se encaixa perfeitamente no impulso dessa coluna. A compaixão é um “sentimento piedoso de simpatia para com a tragédia pessoal de outrem, acompanhado do desejo de minorá-la; participação espiritual na infelicidade alheia que suscita um impulso altruísta de ternura para com o sofredor”.
 
Tantas pessoas necessitadas. Tantos seres, como nós, em condições precárias de vida. Os motivos, a priori, não importam. A vontade de ajudar e contribuir de qualquer forma é maior do que o raciocínio e o entendimento do porquê daquela situação. E dona Maria nos fez pensar. 
 
Dona Maria, para quem não conhece, é moradora de rua. É uma entre tantos. Quem frequenta a rodoviária de Barretos provavelmente já a viu lá. É uma senhora que anda encurvada, com sua sacola cheia de tudo: bagulhos, roupas velhas, sobras de qualquer coisa, etc. Nos primeiros contatos ela se mostra bastante arisca (talvez por não confiar nas pessoas, nos seres humanos). A braveza inicial e os palavrões proferidos nos primeiros contatos dão uma impressão errada de dona Maria. Na realidade, para qualquer ser humano, o ataque às vezes é a única maneira de se defender.
 
Mas com o tempo a braveza vai indo embora, ela vai se acalmando, vai gostando da conversa e, em pouco tempo, já pede para você ficar. E isso sim dá alegria no coração. Uma simples conversa às vezes basta. E com essa confiança que chegou, ela se abriu e nos fez um pedido, tão simples quanto o seu sorriso que quase não conseguimos ver por conta da envergadura de sua coluna: ela gostaria de tomar banho.
 
E assim foi feito. E o tanto que ela ficou feliz? Por mais que ela (e outros tantos) apresente (m) resistência em não querer mudar, em querer ficar quieto no seu canto, mesmo que em condições precárias de vida, basta insistirmos, acreditarmos. Uma resistência a algo novo, diferente, pode ser quebrada com amor, com persistência. E o resultado, o sentimento de ver aquela pessoa um pouco mais feliz, não tem como descrever em palavras ou no papel.
 Vamos nos tornar voluntários. Vamos ajudar. Todos nós sabemos de nossas condições! Entenda que a solidariedade é contagiosa. Então, contagie e se deixe contagiar!

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