quarta-feira, 20 de junho de 2018

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Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz

Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente como em pleno dia (Rm 13, 12-13). “Não existe sociedade humana onde o Estado seja corrupto e a população honesta, não existe sociedade humana onde a população seja corrupta e o Estado seja ético. Em todos os países do planeta, governo transparente, governo não corrupto, significa sociedade respeitadora de regras éticas.”
Com estas palavras do professor Leandro Karnal, gostaria de chamar a atenção para a questão da corrupção social tão presente em nosso meio, mas tão facilmente ignorada. A corrupção política é apenas um reflexo das “pequenas” corrupções cometidas cotidianamente em todos os lugares; o chamado “jeitinho brasileiro”, que nada difere das conhecidas vantagens indevidas que diariamente os jornais noticiam referente a um ou outro político, é a raiz do grande mal que assola a nossa sociedade, cujo preço estamos pegando a duras penas.
Não haverá modelo político ou personalidade política capaz de livrar o país da corrupção se nós não nos esforçarmos por sermos mais honestos em nossas ações; não é só um problema de Estado ou estrutura de governo, é uma epidemia social, uma insanidade coletiva da qual poucos estão isentos. O grande mal talvez seja o de dar rosto e nome para a corrupção, mas a corrupção não tem um único rosto e nem um único nome, se assim fosse, muito facilmente seria resolvida, mas sabemos que é mais complexo que isso, ela está presente nas relações mais corriqueiras do povo brasileiro em seu instinto de tirar vantagem de tudo; é a política do tirar proveito que deve ser superada.
O saudoso Dom Albano Cavallin, arcebispo emérito de Londrina, falecido no ano passado, era famoso por seu jeito de evangelizar contando histórias, uma delas, intitulada “Todo Mundo Faz” nos ajuda a refletir sobre o assunto: “Uma criança de seis anos de idade, estava viajando com o pai que ultrapassou o sinal vermelho, o filho olhou indignado e o pai respondeu: ‘todo mundo faz!’. Essa mesma criança aos nove anos de idade, estava numa reunião de família e o assunto era sobre como sonegar impostos, ela não entendia muito bem, mas logo percebeu que não era algo muito correto, até que um tio disse: ‘ah isso todo mundo faz!’. Aos 15 anos de idade, ele conseguiu seu primeiro emprego numa feira e o dono da feira pediu que ele pusesse nas bandejas os morangos ruins embaixo e os bonitos em cima; ele quis dizer que não estava de acordo, mas o dono respondeu: ‘todo mundo faz!’.
Esse mesmo jovem, aos 19 anos, entrou na faculdade e lá ele comprou o gabarito de uma prova por cem reais e, por um azar, foi pego colando, quando voltou para casa, fizeram um escarcéu: ‘como foi que você caiu numa dessas?’ Ele respondeu: ‘todo mundo faz!.’ O arcebispo encerrava dizendo que esse é o pecado nacional, o pecado do jeitinho brasileiro e alertou que o jeitinho não nasceu no Palácio do Planalto, na Câmara ou no Senado, mas na família. Famílias brasileiras fabricando políticos corruptos. A família é para formar homens e mulheres honestos, pessoas de bem, comprometidas com a verdade e são através de pequenos gestos que conseguiremos mudar o país, começando dentro de nós mesmos.

Diácono Fernando Felix Rabelo

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