quarta-feira, 16 de outubro de 2019

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A DECLARAÇÃO DE JANOT

Não se sabe o motivo pelo qual o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez a declaração bombástica de que quase teria matado o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, e, em seguida, se suicidado, contando em detalhes que teria ido ao gabinete do ministro, armado, e que só não efetivara o ato, porque falhou na hora de apertar o gatilho. A chocante declaração ocorreu às vésperas do lançamento do seu livro de memórias, “Nada menos que tudo”. Para alguns, poderia ter sido uma jogada de marketing para vender o seu livro. Para outros, foi um suicídio de sua reputação. O fato é que realmente foi chocante a sua declaração, evidenciando a degradação moral em que vivemos. Uma pessoa que ocupou um cargo tão importante na República deveria entender que suas palavras impactam as outras pessoas, e muita gente pode, com isso, achar que é normal fazer o que Janot, por exemplo, contou ter tido vontade de fazer. Isso é muito grave, com consequências danosas que agravam ainda mais a violência no País.
Se realmente aconteceu o que Janot contou, jamais poderia ter feito uma declaração dessas em público, contando como se fosse algo corriqueiro. Na base da sociedade, no dia-a-dia, pessoas comuns podem se achar estimuladas a resolver divergências na bala. Aí está a gravidade moral de sua declaração, tornando ainda maior o relativismo cultural da atualidade, em que os valores morais, em todos os aspectos, se tornaram relativo. Passa então a prevalecer uma espécie de vale tudo, e com isso, o que fica comprometida é a dignidade da pessoa humana, porque nesta lógica, o mais forte se impõe ao mais fraco, ampliando cada vez mais a cultura do darwinismo social, totalmente contrário aos princípios e valores cristãos.
Uma declaração como esta além de imoral foi irresponsável, por não avaliar as consequências no comportamento das pessoas. Se Janot fez isso apenas como jogada de marketing para vender o seu livro, mais imoral ainda, o que demonstra o nível de pessoas que tem ocupado os altos cargos da República. A moral é a base de uma sociedade que quer o bem de todos. Daí o repúdio a essa infeliz declaração de Janot.

ValmorBolan é Doutor em Sociologia. Professor da Unisa. Ex-reitor e Dirigente (hoje membro honorário) do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. Pós-graduado (em Gestão Universitária pela OUI-Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal-Canadá.

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