sábado, 20 de outubro de 2018

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CORA CORALINA

Menina inquieta, jovem inteligente, mulher à frente de seu tempo. Aninha, como era chamada quando criança, transformou-se na grande poetisa e contista CORA CORALINA. Ela nasceu ainda no século XIX, mais precisamente a 20 de agosto de 1889, na cidade de Goiás, antiga capital do Estado, em uma casa centenária, “a casa velha da ponte”, em uma época em que a mulher era educada para ser esposa e mãe, não tinha o direito a estudar, seguir carreira como os homens, e nem se expressar livremente. Aninha quebrou as regras. Estudou apenas em dois livros, um para o primeiro ano e o outro para o segundo ano da escola primária. Tinha tudo para dar errado. Não era tarefa das mais fáceis, por ser mulher, mas seu talento liter´rio foi mais forte do que se poderia imaginar.
Aninha cujo nome de batismo era Anna Beatriz dos Guimarães Peixoto, filha do desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto e Jacintha Luiza do Couto Brandão Peixoto, funda, em 1907, com outras jovens, o semanário “A Rosa”, impresso em papel cor-de-rosa, veículo das ideias do movimento literário feminino de Goiás. Aos 19 anos, em 1908, adota o pseudônimo de CORA CORALINA e publica o seu conto “O Celibatário”, no jornal “Goyaz”. A sua inspiração era tamanha, que colaborava sistematicamente com os periódicos de sua terra natal e do Rio de Janeiro, à época Capital Federal. Aos 20 anos, tem o seu conto “Tragédia na roça” publicado no Anuário Histórico, Geográfico e Descritivo do Estado de Goiás. No ano de 1911, muda-se para a capital paulista, com seu marido Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas e logo após transfere-se para a cidade de Jaboticabal, onde permanece por 26 anos. Em Jaboticabal nasceram todos os seus filhos, perdeu dois filhos ainda crianças e onde enviuvou. Na Atenas Paulista colaborou intensamente com a imprensa local e nacional, como a Revista do Brasil, a convite de Monteiro Lobato. Ainda no Estado de São Paulo morou em Penápolis e Andradina, onde se dedicou, além da literatura, colaborando com a imprensa, militou na política e participa de comícios da UDN, colaborou efetivamente com a Revolução Constitucionalista de 1932, defendeu a criação de um partido feminista brasileiro, e ainda teve tempo para afazeres, como: dona de pensão, doceira e ao cultivo da terra. Tudo para ela era inspiração, como o “Poema do Milho”, publicado em 1939. Em 1956, retorna à sua terra natal e vai morar na “casa velha da ponte”. Publica, aos 76 anos, o seu livro “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. No entanto, ela fica conhecida nacionalmente como grande escritora brasileira, após cair nas graças de Carlos Drummond de Andrade, que depois de impressionado com a beleza de seus versos, publica um artigo no Jornal do Brasil.
Durante sua vida literária pertenceu à Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás e Academia Goiana de Letras; foi agraciada com honrarias, como a Ordem do Mérito Anhanguera e Ordem do Mérito do Trabalho; é homenageada pela FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação e Grande Prêmio da Crítica, categoria literatura, outorgada pela APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte. Faleceu, em 1985, aos 95 anos, tendo vivido intensamente.
Com o intuito de homenagear a poetisa e contista Cora Coralina, a ABC – Academia Barretense de Cultura programou, para 2018, várias atividades culturais, como: saraus, declamações de poemas, artes plásticas, música e teatro, movimentando desta forma o panorama das artes em Barretos. No Sarau realizado no dia 13 de junho deste ano, na ABC, além da honrosa presença da Sra. Marlene Gomes de Vellasco, diretora do Museu Casa de Cora Coralina, da cidade de Goiás (GO), mais conhecida como Goiás Velho, que ministrou uma palestra sobre a escritora, a coordenadora do Núcleo de Artes Visuais da ABC, a acadêmica Conceição Aparecida Ribeiro Borges, convidou vinte e cinco artistas plásticos de Barretos para produzirem telas inspiradas na obra, na vida e nos afazeres de Cora Coralina. A exposição ficou belíssima, digna de ser apreciada pelo grande público. Adolfo Alonso, Ângela Ortiz, Bia Caiel, Conceição Ribeiro Borges, Daniel Volpi, Dado Stuart, Dorinha Vitali, Haydéia Delascart Queiroz, Jussara Helena Silva, Leila Amisy Pereira, Leonor Girardi Misiara Mokdici, Lília Parassú de Carvalho, Luzia Madalena Alve, Manoel Nunes Filho, Marcos Diamantino, Maria Tereza Wada Moura (Pat Wada), Marita Corrêa Magalhães de Paula, Marley Machado e Cristino de Figueiredo, Newton Teixeira da Silva, Renata Magalhães de Paula, Renato Amisy Pereira, Rosa Maria de Ávila Rezek, Rute Alves Ferreira Meneghelo, Shirley Spaolonsi Pignanelli e Wilson Cassi são os artistas que aceitaram o desafio.
A EXPOSIÇÃO COLETIVA DE ARTES: “VIVENDO CORA CORALINA”, itinerante, foi abertura na noite de ontem, dia 8, na FACULDADE BARRETOS, permanecendo até dia 19 deste mês, e poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, das 15 às 22 horas.
Prestigie!

Profº José Antonio Merenda
Historiador, Presidente da
ABC – Academia Barretense de Cultura, Egresso do Curso de Licenciatura em História
da Faculdade Barretos

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