quinta-feira, 16 de agosto de 2018

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Cessem os discursos e falem as obras

Nascido Fernando de Bulhões e Taveira, na cidade de Lisboa em 1195, Santo Antônio é um dos santos mais populares da Igreja Católica, invocado nas mais diversas circunstâncias e necessidades. Fascinado pelos ideais franciscanos, sobretudo, após testemunhar o martírio de alguns frades no Marrocos, ingressou no convento de Coimbra onde recebeu o nome de Antônio; exímio pregador é honrado com o título de Doutor da Igreja.
Morreu aos 36 anos em Pádua, por isso é venerado como Santo Antônio de Pádua. É dele o escrito que diz: “A palavra é viva quando são obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras”. Embora trate de um texto antiquíssimo, datado do início do século XII, portanto a mais de 800 anos, nos traz um ensinamento bastante atual. Estamos fartos de palavras vazias, cansados da incoerência de vida e desacreditados, diante disso, somos desafiados também a nos avaliar a respeito de nossas posturas, se somos de fato coerentes com aquilo que dizemos ser e mais, se somos aquilo que cobramos dos outros. Nada pode ser mais contagiante que um bom exemplo; se há uma maneira eficaz para transformar o mundo e as realidades onde estamos inseridos, esta é, sem dúvida, a prática do bem.
“Se o mal é contagioso, o bem também é” nos ensina o Papa Francisco, deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem. Quando nossas palavras vêm acompanhadas de ações, temos credibilidade naquilo que falamos, aliás, quando nossas ações antecedem as palavras, aí de fato, compreendemos o que realmente importa. Todos nos incomodamos com o mal no mundo; todos temos uma opinião formada sobre corrupção, violência e outros males que assolam nossa sociedade e, sempre que oportuno, expomos nossas revoltas, no entanto, nem sempre somos tão ligeiros quando se trata de corrigir nossos maus hábitos; é justamente por isso que o apelo de Santo Antônio faz-se urgente: cessem os discursos e falem as obras.
Guardemos, portanto, este ensinamento e nos esforcemos sempre mais em ser aquilo que dizemos e dizer aquilo que somos, e se nos parecer demasiado exigente, nos conforta outra passagem do Santo que diz: “Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente, não ficará sem recompensa.” Façamos o bem na medida de nossas forças e a recompensa será um mundo melhor; ao menos a parcela dele onde vivemos, certamente será.
Diácono Fernando Felix Rabelo

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