segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

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CARNAVAL BRASILEIRO

Bom Dia Barretos. Parece conto de fadas ou milagre dos céus, o que ocorre no Brasil, quando soam os tambores anunciando o reinado de Momo. A tristeza, o sofrimento, as angustias e até a fome, são relegados a um segundo plano e só se fala de fantasias, da composição de blocos e desfile das escolas de samba. Homens sisudos se transformam em odaliscas e lindas mulheres se transfiguram, como se tudo fosse natural. Tudo pode, caem as máscaras, submergem instintos contidos e o mundo se transforma.

Sensacional o poder do carnaval. As dívidas são esquecidas, os cartões de crédito são usados sem o devido controle e depois, bem depois, “a gente vê como fica”. Agora só quero me divertir, quero esquecer os problemas, as dificuldades do dia a dia, esquecer as dívidas, e as cobrança, os aluguéis atrasados e os IPTUs não pagos, não quero lembrar se estou ou não desempregado, quero apenas cantar e sassaricar, como dizia a musiquinha de carnavais passados, “sassassaricando todo mundo leva a vida no arame, sassassaricando a viúva, o brotinho e a madame. O velho na porta da Colombo é um assombro sassaricando”.

Carnaval é assim, quando menos se espera chega uma outra turma cantando, também uma marchinha de carnavais passados, uma vez que, elas desapareceram com a modernidade. Cantavam, dentro do espírito carnavalesco “chegou a turma do funil, e todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto, ai, ai, ninguém dorme no ponto, nós é que bebemos e eles que ficam tontos. Eu bebo sem compromisso, com o meu dinheiro ninguém tem nada com isso, aonde houver garrafa, aonde houver barril presente está a turma do barril”.

Já outra turma se esbaldava cantando outra marchinha de carnavais passados “As águas vão rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar, eu passo a mão na saca, saca, saca-rolha e bebo até me afogar, deixe as águas rolar, se a polícia por isso me prender, mas na última hora me soltar, eu pego a saca, saca, saca-rolha, ninguém me pega, ninguém me pega”.

Se um extraterrestre aportasse à terra e deparasse, com as avenidas superlotadas de pessoas pulando e se rebolando, provavelmente retornaria ao seu planeta, dizendo que a terra era povoada por um povo alegre e festivo, desprovido de problemas e preocupações, como nenhum outro povo, nos diversos corpos celestes espalhados pelo universo.

Carnaval é assim, se o folião estiver sem um tostão no bolso, não faz mal, mesmo assim sai pulando, divertindo e cantando uma musiquinha de carnavais passados “Ei você aí, me dá um dinheirinho aí, me dá um dinheirinho aí. Não vai dar, não vai dar não, você vai ver a grande confusão, que vou fazer bebendo até cair, me dá, me dá me dá, oi me dá um dinheirinho aí”.

E, quando acabar a folia de Momo, se lhe despejam por falta de pagamento do aluguel, ele retruca com outra marchinha de carnaval: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira, daqui não saio daqui ninguém me tira, onde é que vou morar. O senhor tem paciência de esperar, ainda mais com quatro filhos, onde é que vou morar”, enquanto no morro, ainda de ressaca, alguém estará cantando outra marchinha de carnaval “Lata d´agua na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria, sobe o morro não se cansa, pela mão leva a criança, lá vai Maria. Maria lava roupa lá no alto, lutando pelo pão de cada dia, sonhando com a vida no asfalto, que acaba onde o morro principia”.

A quarta-feira de cinzas já ia quase terminando quando se ouve de longe alguém cantando “Doutor eu não me engano, meu coração é corintiano, doutor eu não me engano, meu coração é corintiano, eu não sabia mais o que fazer, troquei um coração cansado de sofrer, ah doutor eu não me engano, botaram outro coração corintiano.

Pena, que acabado o carnaval, descobriremos que a fantasia se esfumaçou e, então o brasileiro voltará a enfrentar o fantasma das contas a pagar, do combustível a preço de ouro, do desemprego, das novas falcatruas que surgem a cada dia. Só nos restará então pedir a DEUS que faça valer a impressão que o E. T. levou a nosso respeito, e possamos ser um povo alegre e festivo, mas também responsável e respeitoso, sabendo quais são os nossos limites.

BOM DIA BARRETOS.

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